terça-feira, 8 de março de 2011

- e assim "marília", digo, Lília escrevia:

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De bruços, as pernas dobradas para cima, ela mordia a ponta da esferográfica, enquanto olhava para o diário aberto sobre a cama. No alto, a data e o dia da semana. Abaixo, havia escrito: “Tarde de sol, bem depois das seis e meia, um calorão danado. Por que a vida é tão difícil?”

Após haver grifado a palavra difícil, Lília mordeu mais forte a esferográfica como se forçasse uma resposta.

De repente, tocada por uma súbita inspiração, foi escrevendo e dizendo em voz alta:



...

“Em meu coração jovem há tantos caminhos que não consigo percorrer! Por que sou assim tão contraditória? Agora estou triste. . . agora estou alegre.. . Aqui estou radiante mas, ali adiante, sou toda lágrimas! Por que não sou sol-amarelo-calor-e-luz? Por que não aprendo a caminhar sem ter destino até o encontro dos braços que me amem? Braços que me aqueçam... braços que tirem de mim todo o sol que tenho para dar ao mundo!”

- A Ladeira da Saudade , de Ganymédes José


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